“Isto… isto é impossível. Isto deve ser roubado ou clonado!” gaguejou Alejandro, o suor frio a escorrer-lhe pela testa. “Um camponês não tem, nem nunca terá, um cartão destes!”
“Passa o cartão, Alejandro,” ordenou Carlos, com um tom letal. “O valor da compra é de 2,500,000 pesos. E, se bem me lembro do vídeo que já está a incendiar a internet, tu fizeste uma aposta pública e verbal com peso legal. Disseste, perante dezenas de testemunhas, que se ele tivesse limite, tu pagavas o trator.”
A multidão agitou-se num murmúrio intenso. “É verdade! Ele prometeu pagar do bolso dele!” gritou um dos clientes que, minutos antes, se tinha rido de Mateo, mudando agora de lado ao perceber o peso da situação e a reviravolta iminente.
Em pânico absoluto e sem alternativa perante as câmaras que o cercavam implacavelmente, Alejandro caminhou a passos trémulos até à máquina. Inseriu o cartão de metal negro. Digitou 2,500,000 pesos. O seu dedo indicador hesitou longamente sobre a tecla de confirmação. Se a compra fosse aprovada, a sua vida financeira e a sua carreira estavam arruinadas para sempre. Fechou os olhos com força, em desespero, e carregou no botão.
A máquina começou a processar a informação. Os curtos 5 segundos pareceram 5 horas de tortura psicológica excruciante.
Bip.
O ecrã brilhou numa cor verde radiante. A mensagem surgiu fatal: APROVADO. Saldo disponível: 185,450,000 MXN.
Um silêncio absoluto e sepulcral desceu sobre a vasta loja. Ninguém ousava sequer respirar. Alejandro abriu os olhos e fixou o ecrã, com as pupilas completamente dilatadas, o terror cru e absoluto a apoderar-se das suas feições contorcidas.
“Não… não pode ser verdade… a máquina está avariada,” murmurou o gerente, recuando um passo, a respiração ofegante e irregular.
Foi nesse exato momento de choque que a porta de vidro do escritório principal se abriu de rompante e Don Ricardo, o empresário dono de toda a cadeia nacional de concessionárias, entrou na loja a correr, acompanhado por 2 seguranças gigantes. Carlos tinha-lhe ligado no trajeto, informando da iminente catástrofe legal e de imagem para a marca.
“O que raios se passa aqui no meu salão?” exigiu Don Ricardo, furioso. Mas o seu olhar cruzou-se imediatamente com o de Mateo. O dono multimilionário da empresa empalideceu subitamente. Correu na direção do camponês, estendendo ambas as mãos num gesto de respeito e reverência profunda. “Don Mateo! Meu Deus, que honra inestimável tê-lo no meu humilde estabelecimento! Peço-lhe as minhas mais sinceras desculpas por esta confusão vergonhosa.”
Alejandro parecia prestes a ter um colapso nervoso no meio da loja. “Patrão… o senhor dono conhece este… este indivíduo?”
“Este homem, seu imbecil arrogante,” rugiu Don Ricardo, virando-se para o gerente com os olhos a deitar fogo, “é Don Mateo Valdés, o patriarca e dono absoluto da ‘Hacienda El Sol’! Ele emprega mais de 400 famílias no estado de Jalisco e é o maior exportador de agave premium para a Europa e para os Estados Unidos da América. Ele fatura por dia mais do que tu vais ganhar na tua vida inteira! Ele poderia comprar esta loja, e todas as outras filiais, a pronto pagamento se assim o desejasse!”
As palavras caíram como violentas explosões no meio da multidão. O choque foi total. Os clientes que antes tinham humilhado Mateo baixaram a cabeça, profundamente envergonhados pela sua própria ignorância cega e preconceito doentio. Eles tinham gozado e menosprezado um verdadeiro gigante da indústria apenas porque ele se vestia com a simplicidade humilde da terra que amava.
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