PARTE 2
Exatamente 15 minutos depois, um enorme SUV preto e totalmente blindado travou bruscamente à porta da concessionária, bloqueando a entrada principal. Carlos, um dos advogados mais temidos, brilhantes e influentes de toda a cidade de Guadalajara, saiu do veículo ostentando um fato italiano que, por si só, valia muito mais do que o salário anual inteiro do arrogante gerente da loja. Nas mãos firmes, trazia consigo uma pesada pasta de couro preta.
Mateo saiu da sua carrinha velha ao ver o amigo. Sacudiu a poeira da camisa de xadrez com um gesto digno, ergueu a cabeça e acenou para Carlos. Juntos, lado a lado, caminharam de volta para as pesadas portas de vidro da “AgroPremium”.
No interior climatizado, Alejandro ainda celebrava o seu “triunfo”, mostrando a gravação da expulsão no telemóvel a um cliente recém-chegado. Quando o sino eletrónico da porta tocou e Mateo entrou novamente, ladeado pelo advogado imponente, o sorriso do gerente congelou por uma fração de segundo, antes de se transformar numa máscara de raiva e irritação.
“Tu realmente não aprendes, pois não, seu velho teimoso?” gritou Alejandro, avançando agressivamente pelo corredor liso. “Queres que chame os seguranças para te atirarem de cabeça para o asfalto a ferver?”
“Ele veio para terminar a transação que iniciou,” interveio Carlos, colocando-se um passo à frente de Mateo. A voz do advogado era gélida, calculista, e reverberou pelo salão com uma autoridade que calou imediatamente os murmúrios.
Alejandro olhou para Carlos, ligeiramente intimidado pela postura impecável e pelas roupas de luxo, mas o seu ego inflamado pela plateia falou muito mais alto. “Ele já tentou, senhor doutor. O cartão daquele mendigo foi recusado miseravelmente. Foi a piada da semana.”
“Aquele cartão era de uma conta poupança antiga, a sua primeira conta aberta há 40 anos, que ele guarda apenas por razões de nostalgia,” disse Carlos, pousando a pasta preta em cima do balcão principal com um baque surdo e intimidante. “Desta vez, o meu cliente vai usar o cartão certo. E tu, gerente, vais ter de o passar perante toda a gente.”
Os clientes começaram a juntar-se novamente, formando um círculo apertado. A tensão no ar era agora densa e cortante. Mais telemóveis foram erguidos, transmitindo em direto. A novela da vida real estava a atingir o seu clímax.
Mateo enfiou a mão calejada no bolso e retirou um cartão completamente diferente. Não era de plástico desbotado. Era extremamente pesado, feito de metal negro e fosco, com bordas prateadas reluzentes e o nome “Mateo Valdés” gravado logo abaixo da icónica inscrição “Black Unlimited”.
O rosto de Alejandro perdeu a cor instantaneamente. O gerente reconheceu aquele cartão exclusivo de imediato. Eram emitidos apenas para o topo da elite financeira, para clientes magnatas com centenas de milhões de pesos a circular nas suas contas. As mãos de Alejandro tremeram de forma visível quando foi obrigado a pegar no pedaço de metal negro.
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